A luz aquarelável do outono
Eu sempre quis viver a vida, Seu Lôro,
pelos riscado e cor da alegria
sempre pensei que haveria de ser melhor.
A luz serenando as lonjura da paisagem
o desrebuçar do alvorecer
a vida nos acontecimento.
No final do dia o esconder da tarde
invadindo os aposento da casa
das prateleira, do borralho dos aconchego.
E o senhor chega pra me presentear os retrato.
Naquele dia eu tava de giriza
uns incômodo apunhalando os peito
a dor demasiada do existir.
O senhor com a sua alegria
a prosa exuberando circunstância
e diversidade
cioso nas pergunta
remexendo as minhas lembrança
a máquina de fazer retrato...
E é neles qu'eu vejo as cor das mais diversa
feitas de harmonia, reluzente
lavradias como havia de sempre ser!
O senhor sabe que a gente num tem de como num admirar
no sol a sole a gente num enxerga assim
é como se faltasse alguma coisa
e num tem de como esclarecer.
O querer da gente num aquartela o sertão
ele escorre destinoso alargando as encosta
esticando vastidão.
É por isso que desgosto quando me sinto incantilado
careço das amplidão.
O domínio do nosso poder é fantasia sem vestimenta
e o senhor deve de acreditar
quando Deus principia a nos chamar
daqui num levamos nadinha de nada
do lado de lá somos feito de plenitude
carecemos de coisa nenhuma de nada
Deus vive por nós!
Atardalhador, Seu Zé de Herculana
acende o cigarro de palha, pigarreia
os olhos assaz
marejando
dedilha a viola rememorando os versos
cantados nas folias.
“Boa noite senhor dono da casa
abra a porta e acenda a luz
vem receber os Santos Reis
e o Menino Jesus.”
Tem gente, o senhor sabe, que o coração é na sola dos pé
num acredita em nada, cumé que pode, num é?
Esconjuro, Deus nos livra da descrença na fé!
Contemplo as suas mãos lavradas
em terras de lavoura e garimpo
o cabo da foice domesticando o tempo
a pele tosquiada pelo mesmo sol
que lá fora castiga as terras da Misericórdia
despindo o cerrado do verde aprazível.
Eu tôu trabalhando pra oitenta e quatro ano
e quero ir muito depois
na idade qu'eu tôu eu aprumo uma roça
qu'eu falo mesmo num é qualquer um
que faz o qu'eu faço
sempre fui um homem destemido!
A vida, Seu Lôro, é o risco no trato com a verdade
sem mais delonga
só o puro exato!
Apartado
um sabiá laranjeira sustenta a luz
aquarelável do outono
amadurecendo os frutos
do mamoeiro.
O procedente, meu filho, é o cuidado com a palavra
ela deve de ser sempre nutrida pela sinceridade
e nunca deve de estar carregada de inventivos sentidos
um tecido velando os nossos caprichos.
Dádivas
as palavras do meu pai
na arcaica manhã
ornada de nuvens e presságios
de uma estação chuvosa.
Resoluto
os cabelos em revoada
a face delineada pelo bigode
a luz efêmera dos olhos
as mãos calejadas
e encardidas
rescendendo a fumo e suor.
O trabalho, meu filho, dá saúde
dignifica, é gratificante!
O rosário da vida
é o ofertório das palavras
pronunciadas pelo Filho do Pai
e as mãos de bem querência
dos irmãos.
Rejeito
como quem manuseia
uma imagem atemporal
o cigarro de palha
ofertado com cerimônia
por Seu Zé de Herculana
enquanto o sabiá alça voo
e risca de muitos azuis
o entardecer
de imenso céu
nas terras da Misericórdia.
De quando em vez, Seu Lôro,
eu me pego cismando
se é possível mesmo o não existir de Deus
e esconjuro, num cabe cabimento!
Assunta, suponhamos mais eu
que ainda que assim seja
num é prazeroso de bonito de a gente desejar
o Deus te guarda e te proteja
o Deus te abênçoa
que Deus esteja no encalço do seus pé
que Deus zele por vósmice!
O senhor num concorda mais eu
que é mesmo bonito de prazeroso?!
Ah, Seu Lôro, que Deus te leva e te traga de volta
se assim for do seu querer, Seu Lôro!
Vá com Deus e que Deus te acompanhe!